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Sarampo volta a preocupar: com imunização abaixo da meta, SP convoca população aos postos de vacinação

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Pais devem comparecer às unidades básicas de saúde para vacinar os filhos e colocar as próprias carteiras de vacinação em dia (FOTO: Agência SP)
São Paulo registra 23 casos de sarampo em 2026 e cobertura vacinal abaixo da meta de 95%. Veja quem deve tomar a vacina contra o sarampo, quais são as doses, contraindicações, sintomas e onde se vacinar.

Com 23 casos confirmados em 2026 e cobertura de apenas 77,5% na primeira dose e 65,5% na segunda, autoridades reforçam a vacinação; estratégia especial atende moradores de 6 meses a 59 anos de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo

O sarampo voltou a exigir atenção das autoridades de saúde de São Paulo. O Estado já contabiliza 23 casos confirmados da doença em 2026, enquanto a cobertura da vacina tríplice viral está bem abaixo da meta de 95% estabelecida para cada uma das duas doses: 77,5% na primeira dose e 65,5% na segunda. O sinal de alerta faz a vacina contra o sarampo voltar a ser prioridade.

O cenário levou o Governo de São Paulo a ampliar as ações de vacinação. Moradores de 6 meses a 59 anos dos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber a dose da tríplice viral, independentemente do histórico vacinal, desde que não tenham contraindicações e respeitem os intervalos necessários entre vacinas de vírus vivos atenuados.

A preocupação se justifica pela alta transmissibilidade do sarampo e pelo risco de novos casos quando existem grupos com vacinação incompleta. Dos 23 casos registrados no Estado, dois foram classificados como importados e os demais estão relacionados à importação, embora a fonte de infecção ainda não tenha sido identificada. Além disso, 16 pacientes não tinham histórico de vacinação ou apresentavam esquema vacinal incompleto.

Os casos atingem diferentes faixas etárias: entre os registros deste ano estão bebês de até 2 anos e adultos de 20 a 50 anos, mostrando que a proteção precisa ser mantida em diferentes momentos da vida.

O Brasil já conseguiu eliminar o sarampo — e perdeu essa conquista

A situação atual contrasta com um período em que o país conseguiu interromper a circulação do vírus. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) o certificado de eliminação do sarampo, depois de anos de ações de vigilância, vacinação e controle dos surtos.

O Ministério da Saúde registra que, após o último registro de casos autóctones em 2015, não houve casos confirmados no país em 2016 e 2017. A eliminação foi resultado de uma estratégia sustentada de vacinação e vigilância epidemiológica.

A situação, porém, mudou a partir de 2018. O vírus voltou a circular no Brasil, em um contexto de redução das coberturas vacinais e aumento do número de pessoas não protegidas. A transmissão se manteve por mais de 12 meses e, em 2019, o país perdeu o certificado de eliminação.

Entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39 mil casos de sarampo no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O período de maior concentração ocorreu em 2019.

A experiência mostra por que a manutenção de índices elevados e homogêneos de vacinação é fundamental. O sarampo pode ser reintroduzido por pessoas infectadas em outros países e voltar a se disseminar quando encontra uma população com proteção insuficiente.

Cobertura vacinal está abaixo dos 95% necessários

Os dados preliminares de 2026 mostram uma diferença significativa entre a cobertura registrada no Estado e a meta de vacinação.

  • Primeira dose da tríplice viral: 77,5%;
  • Segunda dose: 65,5%;
  • Meta estabelecida: 95% para cada dose.


A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A baixa cobertura ajuda a explicar a preocupação atual, já que a existência de pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto aumenta a possibilidade de transmissão quando o vírus chega ao território.

Quem mora em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo deve tomar a vacina?

Nos três municípios, a orientação é específica diante do cenário epidemiológico.

Todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que residem em São Paulo, Guarulhos ou São Bernardo do Campo devem procurar uma UBS para receber a dose da vacinação indiscriminada, independentemente de já terem completado anteriormente o esquema vacinal.

A orientação vale desde que a pessoa não apresente contraindicações e seja respeitado o intervalo recomendado entre vacinas de vírus vivos atenuados.

Nos demais municípios paulistas, não há indicação de vacinação indiscriminada para toda a população dessa faixa etária. A orientação é verificar a situação vacinal, fazer busca ativa de pessoas com doses em atraso e atualizar a caderneta, de acordo com a idade e o Calendário Nacional de Vacinação.

E quem vai viajar para essas cidades?

O simples deslocamento temporário para São Paulo, Guarulhos ou São Bernardo do Campo não constitui, por si só, indicação para a vacinação indiscriminada.

Quem pretende viajar deve verificar a própria situação vacinal e manter a caderneta atualizada de acordo com as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Quantas doses são necessárias?

Fora da estratégia especial adotada nos três municípios da Grande São Paulo, o esquema de vacinação varia conforme a idade.

Crianças

  • Aos 12 meses: primeira dose da tríplice viral;
  • Aos 15 meses: segunda dose, preferencialmente com a vacina tetraviral, que também protege contra varicela.


Pessoas de 5 a 29 anos

Devem comprovar duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

Pessoas de 30 a 59 anos

Devem comprovar uma dose da tríplice viral.

Trabalhadores da saúde

Devem comprovar duas doses da tríplice viral, independentemente da idade.

O que é a “dose zero”?

Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias podem receber uma dose adicional, chamada de dose zero, diante de situações de risco epidemiológico.

Essa dose, porém, não substitui as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação. A criança deverá receber novamente as doses indicadas aos 12 e aos 15 meses.

A vacinação a partir dos 6 meses permite uma resposta imunológica nessa faixa etária, quando a proteção proporcionada pelos anticorpos maternos pode já não ser suficiente.

Posso tomar a vacina contra o sarampo junto com outras vacinas?

Essa é uma das dúvidas mais importantes neste momento.

A equipe da UBS deve verificar a caderneta antes da aplicação. Quem recebeu, nos últimos 30 dias, outra vacina de vírus vivos atenuados, como as vacinas contra febre amarela ou varicela, pode precisar aguardar o intervalo recomendado antes de receber a tríplice viral.

Por isso, não é recomendável decidir sozinho sobre o intervalo. A orientação deve ser confirmada na unidade de saúde, que avaliará quais vacinas foram aplicadas e indicará a data adequada.

Durante a campanha de multivacinação, a equipe também poderá verificar outras doses eventualmente atrasadas.

Gestantes podem tomar a tríplice viral?

Não.

A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação porque é produzida com vírus atenuados.

Também não devem receber o imunizante pessoas com imunodeficiência grave ou aquelas que apresentaram anafilaxia a algum componente da vacina.

Já as lactantes podem ser vacinadas normalmente. A amamentação não precisa ser interrompida, pois a vacina não oferece risco ao bebê.

Em caso de dúvida sobre uma condição específica, a orientação deve ser obtida com um profissional de saúde.

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. Entre os principais sintomas estão:

  • febre alta;
  • manchas vermelhas na pele, geralmente iniciadas no rosto e posteriormente espalhadas pelo corpo;
  • tosse;
  • coriza;
  • conjuntivite;
  • mal-estar intenso.


A transmissão ocorre por meio de secreções eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

A doença pode provocar complicações, incluindo pneumonia, infecções de ouvido e inflamação no cérebro, principalmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade.

O que fazer se houver sintomas?

A pessoa com sintomas compatíveis com sarampo deve procurar uma unidade de saúde para avaliação clínica e orientação sobre a realização de exames.

A confirmação depende de avaliação médica e exames laboratoriais.

Enquanto houver suspeita, é importante evitar contato com outras pessoas e informar aos profissionais de saúde sobre viagens recentes, possível contato com casos suspeitos e a situação vacinal.

Multivacinação acontece nos 645 municípios paulistas

Além da estratégia especial contra o sarampo na capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo, o Governo de São Paulo iniciou em 3 de agosto uma Campanha de Multivacinação nos 645 municípios do Estado.

A mobilização é voltada para crianças e adolescentes menores de 15 anos e tem como objetivo identificar doses atrasadas e atualizar as cadernetas de vacinação.

Pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes à UBS com a caderneta de vacinação. As equipes verificarão as doses necessárias de acordo com a idade e o histórico vacinal.

Entre os imunizantes disponibilizados durante a campanha estão:

  • BCG;
  • hepatite B;
  • pentavalente;
  • poliomielite inativada;
  • rotavírus;
  • pneumocócica 10-valente;
  • meningocócica C;
  • meningocócica ACWY;
  • influenza;
  • Covid-19;
  • febre amarela;
  • tríplice viral;
  • varicela;
  • DTP;
  • hepatite A;
  • HPV.


Os horários e locais de atendimento são definidos pelos municípios.

Metrô amplia vacinação em cinco estações de São Paulo

Para facilitar o acesso da população, o Metrô de São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, promove entre 10 e 28 de agosto uma campanha de vacinação contra sarampo, caxumba e rubéola em cinco estações.

A iniciativa permite que passageiros aproveitem o deslocamento diário para verificar e atualizar a situação vacinal.

A Estação Tucuruvi, na Linha 1-Azul, recebe atenção especial porque a região registra casos recentes de sarampo.

Estações Corinthians-Itaquera e São Mateus

Datas: 17, 19 e 21 de agosto
Horário: das 10h às 20h

Corinthians-Itaquera: Linha 3-Vermelha.
São Mateus: Linha 15-Prata do monotrilho.

Estação Vila Prudente

Datas: de 17 a 21 de agosto
Horário: das 10h às 16h

Atendimento na integração da Linha 2-Verde do Metrô com a Linha 15-Prata do monotrilho.

Estação Tucuruvi

Datas: de 10 a 14 e de 17 a 21 de agosto
Horário: das 10h às 16h

Linha 1-Azul.

Estação Vila Matilde

Datas: 27 e 28 de agosto
Horário: das 10h às 16h

Linha 3-Vermelha.

Governo reforça estoque de vacinas

Diante da ampliação da vacinação, a Secretaria de Estado da Saúde enviou, em 6 de agosto, 150 mil novas doses da vacina tríplice viral para a capital paulista e outras 80 mil doses para São Bernardo do Campo.

Segundo a Pasta, todos os municípios estão abastecidos. Cabe às administrações municipais definir as estratégias específicas de armazenamento e o eventual remanejamento das doses entre as unidades de saúde.

Dicas para manter a vacinação em dia

Confira a caderneta: mesmo quem acredita ter recebido todas as doses deve verificar o registro de vacinação.

Não sabe se foi vacinado? Procure uma UBS. A equipe de saúde poderá avaliar a situação vacinal e orientar sobre as doses necessárias.

Mora em São Paulo, Guarulhos ou São Bernardo do Campo? Se você tem entre 6 meses e 59 anos, procure uma UBS para receber a dose indicada na estratégia especial contra o sarampo.

Vai viajar? O deslocamento para um dos três municípios não significa vacinação indiscriminada automática. Verifique previamente sua situação vacinal.

Leve a caderneta: sempre que possível, leve o documento e um documento de identificação à unidade de saúde.

Não deixe outras vacinas atrasadas: a Campanha de Multivacinação permite verificar a situação de diferentes imunizantes de crianças e adolescentes.

Em caso de sintomas: procure atendimento e informe sobre viagens, possíveis contatos com casos suspeitos e histórico de vacinação.

Serviço: onde buscar vacinação e informações

Vacinação contra o sarampo

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a estratégia especial contempla moradores de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal, respeitadas as contraindicações e os intervalos entre vacinas.

Nos demais municípios paulistas, a orientação é verificar e atualizar a caderneta conforme o Calendário Nacional de Vacinação.

Campanha de Multivacinação

Público: crianças e adolescentes menores de 15 anos.
Abrangência: 645 municípios do Estado de São Paulo.
Objetivo: atualização da Caderneta de Vacinação.

Vacinação no Metrô de São Paulo

Corinthians-Itaquera e São Mateus: 17, 19 e 21 de agosto, das 10h às 20h.

Vila Prudente: 17 a 21 de agosto, das 10h às 16h.

Tucuruvi: 10 a 14 e 17 a 21 de agosto, das 10h às 16h.

Vila Matilde: 27 e 28 de agosto, das 10h às 16h.

Vacina 100 Dúvidas

O Governo de São Paulo mantém o portal Vacina 100 Dúvidas, com respostas para as principais perguntas sobre vacinação, segurança, eficácia, possíveis eventos adversos, doenças imunopreveníveis e riscos da não vacinação.

Acesse o portal Vacina 100 Dúvidas

Por que a vacinação é tão importante?

A trajetória do sarampo no Brasil mostra que a eliminação da doença é possível, mas depende da manutenção de altas coberturas vacinais. O país chegou a receber o certificado internacional de eliminação em 2016, mas perdeu essa condição depois que a queda da cobertura deixou um contingente maior de pessoas suscetíveis e permitiu a retomada da transmissão.

Com a cobertura atual em São Paulo distante da meta de 95% e a confirmação de 23 casos em 2026, a atualização da vacinação é uma das principais medidas para interromper a transmissão e evitar que o sarampo volte a ganhar espaço.



TodosPodem+ com informações da Agência SP


 

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