Novo valor vale a partir de janeiro a ser pago no salário de fevereiro (FOTO: Agência Brasil)
Reajuste de R$ 103 deixa valor R$ 6 abaixo da previsão; limite do ganho real é atribuído ao arcabouço fiscal
O salário mínimo federal será reajustado para R$ 1.621 em janeiro de 2026. O novo valor também servirá de base para aposentadorias, pensões e demais benefícios da Previdência Social. O aumento, confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento nesta quarta-feira (10 de dezembro), representa reajuste de 6,79% sobre os atuais R$ 1.518.
O anúncio veio após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador utilizado para atualizar o piso nacional. O INPC acumulou 4,18% nos 12 meses encerrados em outubro.
O novo salário passará a valer em 1º de janeiro, mas os trabalhadores da iniciativa privada recebem a mudança apenas no pagamento de fevereiro (referente a janeiro). Já aposentados e pensionistas do INSS têm o reajuste aplicado diretamente no calendário de janeiro.
Como foi definido o novo valor
A política de valorização do salário mínimo determina duas etapas de correção:
• a inflação acumulada medida pelo INPC;
• e o crescimento real da economia, calculado a partir do PIB de dois anos anteriores.
Com a revisão recente do Produto Inter Bruto (PIB) de 2024, o IBGE confirmou expansão de 3,4%. Contudo, o arcabouço fiscal limita o ganho real entre 0,6% e 2,5%. Assim, pela regra, o valor chegaria a R$ 1.620,99, arredondado para R$ 1.621.
O reajuste ficou abaixo do que havia sido projetado pelo Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, aprovado pelo Congresso, que estimava um mínimo de R$ 1.627.
Aposentadorias e benefícios
Os reajustes do piso nacional afetam diretamente os valores pagos a milhões de beneficiários do INSS. Pela legislação, nenhum benefício previdenciário pode ser inferior ao salário mínimo, incluindo:
• aposentadorias;
• pensões por morte;
• auxílios por incapacidade;
• salário-maternidade;
• Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
Assim, todos os beneficiários que recebem o valor mínimo passam automaticamente para R$ 1.621 a partir de janeiro.
Benefícios acima do mínimo seguem indexações próprias, mas também são corrigidos anualmente para evitar perda de poder de compra.
Mínimo federal x mínimos regionais
Apesar de o salário mínimo federal valer para todo o país e ser a referência obrigatória para benefícios sociais, alguns estados adotam salários mínimos regionais, válidos apenas para categorias específicas de trabalhadores sem piso definido em convenção coletiva.
Em 2025, cinco estados mantêm valores próprios:
São Paulo
• Piso geral: R$ 1.680
• Aplicado a trabalhadores domésticos, motoboys, cuidadores, entre outros.
Rio de Janeiro
• Faixas: de R$ 1.640 a R$ 3.000
• Variam conforme a categoria (vigilantes, comerciários, enfermeiros etc.).
Rio Grande do Sul
• Faixas: de R$ 1.573 a R$ 1.829
• Divididas em cinco categorias profissionais.
Paraná
• Faixas: de R$ 1.749 a R$ 2.009
• Quatro grupos, conforme o setor econômico.
Santa Catarina
• Faixas: de R$ 1.521 a R$ 1.632
• Duas categorias principais.
Esses pisos obrigam empresas locais, mas não influenciam aposentadorias, benefícios do INSS ou programas federais, todos vinculados exclusivamente ao salário mínimo nacional.
Dicas para trabalhadores e aposentados
• Acompanhe anualmente o reajuste do salário mínimo, pois ele afeta pisos profissionais, benefícios previdenciários e programas sociais.
• Se recebe aposentadoria ou pensão no valor mínimo, verifique o calendário do INSS: o aumento já aparece nos pagamentos de janeiro.
• Profissionais que vivem em estados com piso regional devem consultar sua categoria para saber se há valores superiores ao mínimo federal.
• Guarde sempre comprovantes de salários e contribuições para facilitar a conferência dos reajustes e o cálculo de benefícios futuros.






















