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É de partir o coração

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Artigo reflete sobre a atitude dos adolescentes que mataram o cão Orelha  (Ilustração criada com o uso de Inteligência Artificial)Artigo - É de partir o coração - João Brasil - Professor João Alvarenga

Os pais devem sempre observar o comportamento de seus filhos, principalmente os adolescentes

  • Alvarenga Brasil*


“A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser bom homem”. Escolhi essa frase do filósofo alemão Arthur Schopenhauer para comentar um fato terrível que me motivou a escrever este texto. Refiro-me à lamentável atrocidade que quatro adolescentes de Florianópolis (SC) praticaram contra o indefeso cão, de nome “Orelha”, que foi espancado até a morte. Todavia, antes que me interpretem mal, quero esclarecer que, ao escrever as linhas abaixo, não tive a intenção de julgar nem muito menos condenar ninguém. Pois, isso compete à Justiça! Trata-se apenas de um mero desabafo de quem é devoto de São Francisco de Assis e acredita que os animais, especialmente os pets, são nossos parceiros neste mundo. Por isso, temos muito a aprender com tais criaturas. Por serem frágeis, devemos dar todo o carinho possível a elas, principalmente àquelas que perambulam pelas ruas.

Quanto ao fato em si, na verdade, quase não há palavras para explicar tamanha crueldade, pois a TV mostrou que o animal foi sacrificado pelos garotos, como se tudo não passasse de uma grande “farra do cão”. Ou seja, agiram deliberadamente, apenas pelo prazer de vê-lo sofrer. Afinal, “Orelha”, por ser idoso, era dócil e indefeso, com dificuldade de locomoção. Por não ter um tutor, o velho cachorro em situação de rua recebia o carinho dos moradores de Praia Brava, local onde o crime ambiental aconteceu. Logo, o cão tornou-se figurinha carimbada naquela praia, sendo estimado por todos.

Mas, numa noite sombria, sem nenhuma justificativa aparente, um grupo de arruaceiros decidiu quebrar a monotonia de suas vidas vazias. Isso à custa do sofrimento de um animal que não incomodava ninguém. Aliás, só queria viver o tempo de vida que lhe restava, recebendo um pouco de carinho de quem nutre afeto pelos animais. Digo: todos os animais! Ou seja, dos pets aos selvagens, das minúsculas abelhas às gigantescas baleias. Pois, tudo é obra da criação divina. E, como já escrevi, certa vez, num dos meus artigos, quem ama os animais, ama não só a natureza, mas o próprio Criador.

Todavia, nesse acontecimento lastimável, o que mais me estarrece é o fato de saber, via noticiário, que um dos pais dos garotos tentou intimidar um humilde vigia de um condomínio que, ao assistir à ação macabra, procurou a Delegacia de Polícia para denunciar os criminosos. Posso estar enganado, mas acredito que os progenitores devem dar o exemplo à prole, e não acobertar seus erros.

No caso em questão, há, inclusive, quem defenda a tese de transformar os maus-tratos aos animais em um crime hediondo. Ou seja, sem direito à fiança, também. Tal posicionamento se dá por entenderem que a legislação que pune os crimes ambientais é muito branda. Por isso, os abusos acontecem. Além disso, é bom que fique claro que esse episódio de Santa Catarina não é um fato isolado, pois há inúmeras ocorrências de abandono, dor e sofrimento a que os animais são submetidos diariamente.

Mas, retornando o fato em si, enquanto inúmeros comentários de toda ordem surgem, nas redes sociais, já que esse crime ganhou repercussão nacional, é preciso observar um detalhe muito relevante: os exemplos (bons ou maus) vêm do ambiente doméstico. Por isso, os pais devem sempre observar o comportamento de seus filhos, principalmente os adolescentes. Pois, a adolescência é uma fase delicada, que requer mais cuidado e muito diálogo, além de estabelecer alguns limites. Afinal, como dizia o poeta Ferreira Gullar, “o mundo está cheio de armadilhas”.

No entanto, ao ver o sofrimento de “Orelha”, pelas imagens das câmeras de segurança, lembrei-me do dia que meus dois irmãos trouxeram da rua um cão abandonado. Tratava-se de um cachorro de pelo bem branquinho e olhar meigo. Meus pais não queriam ficar com o animal, pois temiam que pertencesse a alguém, e isso gerasse confusão com algum vizinho. Eu, com meus ingênuos 10 anos, fiquei encantado com o “Branco” (assim o batizamos). Então, implorei que ficássemos com ele. Meu pai só concordou com uma condição: “Se aparecer o dono, nós o devolvemos”.

Para meu alívio, o tempo passou e ninguém apareceu para reclamar a posse do meu novo amigo. Durante as aulas, torcia para que o relógio corresse para voltar pra casa, pois queria brincar com meu companheiro. Foi uma
convivência feliz que marcou a minha infância. Pois, era tímido e tinha poucos amigos na escola. Assim, “Branco” cumpriu a máxima de que “o cachorro é o melhor amigo do homem”.

Ao longo da minha vida, tive outros animais de estimação. Atualmente, pela minha idade (60+), estou encantado com os gatos, que são excelentes companheiros para quem deseja levar uma vida doméstica tranquila, pois são higiênicos e (quase) independentes. Sou tão ligado neles, que até já escrevi um pequeno livrinho de crônicas (ainda inédito) sobre os felinos. Gosto tanto de gatos, que tenho quatro amiguinhos, em casa. Eles são meus xodós. (Mas, isso é assunto para outro texto).

Quero registrar, também, que, ao logo da minha existência, tive a felicidade de assistir a muitos filmes e seriados que tinham os cães como protagonistas. Lembro-me, com especial carinho, do saudoso “Vigilante Rodoviário”, uma série brasileira, em que um policial rodoviário, Carlos Miranda, tinha seu cão, de nome “Lobo”, como seu fiel escudeiro no combate ao crime. Era um pastor-alemão belíssimo e muito bem treinado.

Lembro-me, ainda, da série norte-americana, “Ri-Tin-Tin”, outro pastor-alemão belíssimo que vivia suas aventuras no velho oeste. Também me veio à mente a saudosa cachorra “Lassie”, da raça collie, presente em seriados e filmes de Hollywood.

Para finalizar, deixo, aqui, uma sugestão: seria interessante que as tevês abertas reprisassem esses seriados para as crianças deste século. Acredito que isso ajudaria a despertar nelas, desde cedo, o amor pelos animais. Quem sabe, um dia, os maus-tratos deixem de existir.

Até a próxima!

Alvarenga Brasil - Professor João Alvarenga - Artigo É de dar dó
  • João Alvarenga (@prof_alvarenga) é consultor do idioma


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