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COP30 em Belém: porque o planeta inteiro está de olho na Amazônia

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(FOTO: Tânia Rego / Agência Brasil)COP30 em Belém: o planeta de olho na Amazônia

Conferência global sobre o clima reúne líderes mundiais e movimentos sociais, de 10 a 21 de novembro, em meio a desafios ambientais, políticos e logísticos

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) reúne em Belém, de 10 a 21 de novembro de 2025, líderes mundiais, representantes de governos, negociadores, sociedade civil e o setor privado para tentar acelerar a ação contra a crise climática. Espera-se a presença de cerca de 50 mil pessoas, incluindo chefes de Estado e 15 mil representantes de movimentos sociais na chamada Cúpula dos Povos.

A escolha de Belém capital do Estado do Pará coloca a Amazônia no centro das negociações, mas também expõe tensões sobre infraestrutura, custos de hospedagem, políticas ambientais e as contradições entre compromissos internacionais e decisões nacionais.

O que é a COP30 e quando acontece

A COP30 é a 30ª edição anual da Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Unfccc).

O encontro oficial será realizado de 10 a 21 de novembro de 2025, no Hangar — Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém (PA).

Antes do programa oficial, acontecerá a Cúpula dos Líderes, entre os dias 6 e 7 de novembro, reunindo chefes de Estado e representantes de alto nível.

Por que a COP30 importa

A COP é o principal fórum multilateral para negociar metas, mecanismos e financiamento voltados à redução das emissões e à adaptação das sociedades aos impactos climáticos.

Em 2025 — dez anos após o Acordo de Paris (2015) —, a COP30 terá papel crucial para avaliar se os países aumentaram suas ambições, apresentaram planos concretos (NDCs) e liberaram recursos financeiros para a implementação das medidas, especialmente em favor de nações vulneráveis.

A meta política central segue sendo limitar o aquecimento global a 1,5°C, objetivo que, segundo a ONU, está cada vez mais distante e exige respostas urgentes.

Quem participa e como a conferência acontece

Participantes

Devem participar delegados dos países signatários da Unfccc, chefes de Estado, negociadores técnicos, imprensa, observadores e ampla representação da sociedade civil — com destaque para os 15 mil participantes da Cúpula dos Povos.

A estimativa é de cerca de 50 mil visitantes ao longo do evento.

Zonas do evento

A COP30 será dividida em duas áreas principais:

  • Zona Azul — voltada às negociações formais, pavilhões nacionais e reuniões diplomáticas (com acesso controlado);
  • Zona Verde — dedicada à Agenda de Ação, com debates da sociedade civil, empresas, academia e projetos práticos de sustentabilidade.

Essa divisão permite ampliar a participação de atores subnacionais e do setor privado na apresentação de soluções escaláveis e inovadoras.

Principais temas e questões na pauta de Belém

Transição energética e combustíveis fósseis – Continuação das discussões iniciadas na COP28 sobre a transição “away from fossil fuels”. O desafio é transformar o discurso político em metas verificáveis e acompanhamento efetivo de compromissos em energias renováveis.

Financiamento climático – Implementação de compromissos para financiar adaptação, mitigação e o novo mecanismo de perdas e danos (loss & damage). Países em desenvolvimento cobram compromissos concretos e mensuráveis de recursos.

Proteção de florestas e natureza – Destaque para propostas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa brasileira em debate, e o cumprimento de declarações internacionais, como a de Glasgow, que prevê frear o desmatamento até 2030.

Justiça climática e participação indígena/local – A presença da COP na Amazônia amplia as demandas por protagonismo dos povos indígenas e comunidades tradicionais, tanto nas decisões quanto nos benefícios das políticas climáticas.

Tensões e polêmicas em torno de Belém como sede

A escolha de Belém como sede gerou debates sobre capacidade logística, infraestrutura e aumento de preços locais (como hospedagem e até o valor do açaí).

Críticos apontam contradições entre sediar um grande encontro climático e manter políticas consideradas favoráveis ao desmatamento ou à exploração de combustíveis fósseis.

O governo federal autorizou operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) com participação das Forças Armadas para proteger delegações e infraestruturas críticas durante o evento, o que também gerou controvérsia.

Importantes nomes e organização brasileira

O embaixador André Aranha Corrêa do Lago foi designado presidente da COP30, liderando a coordenação das negociações e da Agenda de Ação.

A articulação internacional e logística é conduzida pelo Itamaraty e pelo Governo Federal, com apoio do Governo do Pará e de parceiros institucionais.

A COP30 fará diferença?

As COPs são espaços fundamentais para criar acordos internacionais e instrumentos políticos, como o Acordo de Paris e o Fundo para Perdas e Danos.

Entretanto, a efetivação nacional dessas decisões ainda é lenta e desigual.

A COP30 poderá impulsionar compromissos adicionais — sobretudo em proteção de florestas tropicais, financiamento climático e cooperação técnica —, mas seu sucesso dependerá da vontade política dos grandes emissores e do grau de detalhamento das medidas aprovadas.

Tudo sobre as COPs

Quando começaram as COPs e por quê

As Conferências das Partes começaram em 1995, após a Rio-92, como forma de acompanhar a implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Unfccc).

A COP é o órgão máximo da convenção e define as regras e metas de governança climática global.

Principais resoluções e acordos

  • Protocolo de Kyoto (1997) — Primeiras metas vinculantes de corte de emissões.
  • Acordo de Paris (2015) — Definiu a meta de 1,5°C e compromissos nacionais obrigatórios.
  • Declaração de Glasgow (2021) — Promessas de frear desmatamento e ampliar financiamento.
  • Fundo de Perdas e Danos (2022–2023) — Criado para apoiar países vulneráveis.
  • COP28 (2023) — Pela primeira vez reconheceu oficialmente a necessidade de transição energética.

Implantação prática

Muitos desses acordos geraram instrumentos ativos — como fundos multilaterais, mecanismos de mercado e planos nacionais de neutralidade climática —, mas a execução global ainda é considerada fragmentada e insuficiente.

Sedes anteriores

As COPs já ocorreram em diversas cidades: Berlim (1995), Kyoto (1997), Copenhague (2009), Paris (2015), Glasgow (2021), Sharm el-Sheikh (2022), Dubai (2023), Baku (2024) e agora Belém (2025).

Por que Belém foi escolhida

A candidatura brasileira foi aprovada por consenso durante a COP28, com o objetivo simbólico e político de levar as discussões à Amazônia, bioma essencial para o equilíbrio climático planetário.

E a próxima COP?

A sede da COP31 ainda não está confirmada, mas há candidaturas da Austrália (com países do Pacífico) e da Turquia.

Por que é chamada de COP30

A numeração é sequencial: a conferência ocorre anualmente desde 1995 — 2025 marca, portanto, a 30ª edição.

Efeitos do aquecimento global já são sentidos em todo o planeta

Negacionismo climático e evidências científicas

Por que ainda há quem negue o aquecimento global

As narrativas céticas têm origens diversas: interesses econômicos, motivações políticas, receio dos custos da transição e má interpretação de dados climáticos de curto prazo.

Essas posições, no entanto, ignoram o amplo consenso científico sobre a influência humana no aquecimento global.

As provas científicas

Os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Ipcc) concluem, com alta confiança, que a atividade humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a terra.
Entre as evidências estão:

  • A Curva de Keeling, que comprova o aumento do CO₂;
  • Análises de isótopos de carbono, associando o gás à queima de combustíveis fósseis;
  • Modelos climáticos que só reproduzem o aquecimento observado quando incluem as emissões humanas;
  • A perda de gelo, o aquecimento dos oceanos e a elevação do nível do mar, todos compatíveis com as projeções científicas.

Essas múltiplas linhas de evidência tornam o papel humano no aquecimento inequívoco.

O que observar em Belém

  • Decisões sobre financiamento climático, especialmente para adaptação e perdas e danos.
  • Medidas concretas de proteção da Amazônia e operacionalização do Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
  • A tradução das promessas sobre combustíveis fósseis em cortes reais de produção e subsídios.

Fontes principais: UnfcccC, COP30 Brasil, Itamaraty, Ipcc, Forest Declaration Assessment, World Economic Forum.

Dicas para conhecer mais sobre a COP30

  • Acompanhe as oportunidades de trabalho voluntário, bolsas e projetos de sustentabilidade ligados à COP30 — diversas instituições abrirão editais e parcerias nos próximos meses.
  • Para quem atua em áreas como meio ambiente, comunicação, economia verde ou educação climática, o evento pode gerar novas vagas e capacitações gratuitas.
  • Fique atento aos canais oficiais: https://unfccc.int e https://cop30brasil.org.

 

(TodosPodem+ com informações da Agência Brasil)
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