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À mercê do acaso (parte 1)

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Ilustração inspirada no estilo surrealista criada com o uso de ferramentas de IAÀ mercê do acaso (parte 1) - Artigo de Alvarenga do Brasil - professor João Alvarenga

Entre o dado do acaso e a escada do mérito, derretem-se os sonhos de quem espera sem agir

  • Alvarenga Brasil

Responda rápido: você acredita na sorte? Essa pergunta é o ponto de partida para discutir, aqui, um dos temas mais inquietantes da humanidade. Aliás, tal tema já foi objeto de redação de vestibulares, está presente em letras de música, filmes e tem inspirado poetas pelo mundo a fora. Afinal, que tema é este? A existência da sorte! Ou seja, a sorte, de fato existe, ou já nascemos predestinados ao sucesso ou ao fracasso? É possível mudar nosso destino? Por que algumas pessoas se dão bem na vida, enquanto outras só amargam frustrações?

Confesso que essas perguntas sempre me inquietaram, desde a minha adolescência, porque muito cedo percebi que meus pais passaram perrengues para criar uma família com quatro filhos. Apesar disso, meu pai nunca desanimou, pois sempre flertou com a possibilidade de acerta o primeiro prêmio da Loteria Federal. Sempre alentou o sonho de receber uma grande bolada de dinheiro que mudasse para sempre o destino financeiro da nossa família.

Todavia, só uma vez a danada sorte passou raspando a porta de nossa casa, num acontecimento que nos entristeceu muito. Mas, deixarei esse relato para a segunda parte desta abordagem, já que decidi dividir esse enfoque em dois momentos, para não cansar o leitor.

Desse modo, proponho o seguinte exercício de imaginação: vamos supor que uma pessoa se dá bem na vida, tem uma bela carreira, bom emprego, com um salário invejável, além de um casamento satisfatório. Para os que gostam de literatura, cito, como referência, Jacinto, protagonista do livro “A cidade e as serras”, do romancista lusitano, Eça de Queirós, Tal personagem era tão afortunado, que causava inveja até mesmo em seu maior amigo, Zé Fernandes, na verdade, o narrador das aventuras de quem nunca teve um desencanto na vida.

Diante desse contexto, muitos se perguntam: afinal, esse cara foi abençoado pelos deuses ou suas conquistas são frutos de trabalho árduo? É possível afirmar que uns nascem pra sorrir, enquanto outros não conhecem o sabor da vitória? Se a resposta for sim, quem determina isso? Ou, então, como explicar o fato de uma pessoa que encontra, na rua, uma nota de R$ 10,00. Vai a uma casa lotérica, faz uma aposta na Mega-sena e leva o prêmio que estava acumulado há dez semanas. Foi sorte? Obra do acaso? Por que uns conseguem e outros não?

Quiçá, a resposta para essas dúvidas pode ser encontrada no livro “A Boa Sorte”, de Álex Robira Celma e Fernando Trías de Bes, uma obra com pouco mais de cem páginas que desmistifica a cultura de que a sorte é fruto de mero acaso ou produto de uma entidade soberana que distribui benesses conforme o merecimento de cada um.

Mais do que isso, os autores detonam a ideia de que alguns seres humanos são escolhidos pelo universo para serem coroados de êxito, como se fossem dignos da atenção dos deuses, enquanto a maioria dos mortais (incluo-me nesse grupo) é obrigada a lutar bravamente para sobreviver com um mínimo de dignidade possível.

Na verdade, os autores deixam claro que as boas oportunidades existem, mas se não forem aproveitadas, de nada valerão. Ou seja, se não houver empenho, esforço e dedicação, tudo será em vão. Exemplificando: não basta desejar passar em Medicina, na USP, é preciso ter um planejamento sério, com horas de estudo. Do contrário, tal desejo não passará de mero delírio juvenil, que resultará em frustrações futuras.

Por isso, dizem os especialistas, há muitos adultos ressentidos com a vida. Até desejaram algo, mas não foram atrás. Já o filósofo armênio, Jacob Bazarian, costumava dizer: “Não se arrependa do que você fez, mas sim do que não fez”. Traduzindo: se desejamos realizar algo grandioso, temos que traçar metas e trabalhar incansavelmente, tendo como foco o bem comum.

Desse modo, fica claro que a obra, que se tornou objeto de análise do grupo de “Estudos Literários”, do Colégio Bela Alvorada, em Votorantim, valoriza muito mais o mérito do que a casualidade das coisas. Ou seja, não devemos esperar pelas oportunidades, devemos criar condições que nos favoreçam, principalmente no competitivo ambiente corporativo. Pois, como diziam os antigos: “tudo que vem fácil, vai fácil”. Ou ainda: “Deus ajuda quem cedo madruga!

A fim de dar credibilidade à tese, os autores citam exemplos de pessoas que ganharam verdadeiras fortunas em apostas, mas perderam tudo da noite para o dia. Há casos daqueles que recebem, inesperadamente, uma grande herança; porém, por não saberem lidar com o dinheiro, ou por não investirem em projetos que tripliquem a fortuna, perdem tudo em pouquíssimo tempo.

É exatamente isso que a obra narra, quando relata o reencontro de dois amigos de infância, que tiveram destinos completamente distintos. Enquanto Davi perde tudo o que pai herdou, Vítor, que não teve a mesma facilidade, vê-se obrigado a encarar a realidade. Assim, com muito trabalho, consegue se tornar um empresário de sucesso.

Sob esse aspecto, fica nítido que mais do que a sorte casual, o que, de fato, existe é a “Boa Sorte” que, na verdade, não é fruto de nenhuma intervenção divina, mas produto de planejamento e trabalho contínuo. Para ilustrar esse pormenor, os autores contam, de forma lúdica, a “Lenda do Trevo Mágico”, em que dois cavaleiros são desafiados pelo mágico Merlin a encontrar o chamado trevo de quatro folhas com grandes poderes. Aquele que o encontrasse, teria sorte ilimitada pelo resto da vida.

Assim, o primeiro cavaleiro é o exemplo como não agir diante dos obstáculos, pois reclamava, o tempo todo, e até duvidava de que tal trevo realmente existisse no perigoso “Bosque Encantado”. Já o segundo cavaleiro, exemplifica a maneira como devemos encarar as dificuldades. Pois, esse cavaleiro empenhou-se – ao máximo – para encontrar aquilo que poderia mudar sua vida.

Desse modo, fica fácil deduzir quem, de fato, conseguiu se dar bem naquela missão.  Claro que o segundo cavaleiro obteve melhor resultado, pois não se lastimou, muito pelo contrário, entregou-se à tarefa, com a certeza de que triunfaria. Não foi milagre, nem sorte, mas empenho. É isto que o livro valoriza: a capacidade de superar obstáculos.

Para concluir, o volume, editado pela “Sextante”, traz, ainda, uma séria de frases de personalidades históricas que obtiveram sucesso não porque contaram com a sorte, mas acreditaram no próprio potencial. Entre eles, destaca-se a fórmula do sucesso de Albert Einstein: “Deus não joga dados com o universo”. Ou seja, o acaso não existe. Até a próxima!

Alvarenga do Brasil, o professor João Alvarenga, é consultor do idioma
  • João Alvarenga (@prof_alvarenga) é consultor do idioma


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